Política

Publicado em: 21/05/2020  |  Por: Cynthia Blink - Manaus/AM  | Deputados

Alessandra Campêlo quer sessões parlamentares híbridas, mas infectologista diz que não é hora

Foto: Divulgação/ Assessoria

A deputada diz que a medida vai evitar a manipulação das sessões, do outro lado o presidente da Aleam diz que não vai comentar os ataques

A deputada Alessandra Campêlo (MDB) solicitou, em um requerimento, que as sessões plenárias da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) sejam presenciais e remotas - híbridas- mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus. No documento, a parlamentar diz que as pessoas do grupo de risco poderão ficar em casa.

A doença que fez o mundo inteiro ficar em casa mostrou que não mata apenas os mais velhos ou aqueles que sofrem de alguma comorbidade (enfermidade) e a proposta que corre na Aleam chega a entristecer Ana Galdina Mendes, a infectologista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hemoam. “Na nossa realidade é muito triste que se discuta isso. São mortes todos os dias. São pessoas e não só números”, desabafa a médica.

“A gente só vai conseguir discutir medidas de diminuição do isolamento social, na Assembleia ou em outro local, quando for realmente possível perceber uma tendência de queda nos novos casos. Na prática, é tudo especulação, a gente ainda não sabe o que vai acontecer”, considera Mendes. Em seguida, é categórica em dizer que a proposta é altamente perigosa para os parlamentares, para os servidores da casa e até mesmo para os familiares de todos os envolvidos.

Sessão híbrida

Para exemplificar a ideia, Campêlo cita os estados de Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná e o Rio Grande do Sul que não possuem sessões somente remotas. Em alguns deles há sessões presenciais com a redução do quadro de funcionários e outros adotaram a chamada “sessão híbrida”, parte dos parlamentares vão ao prédio da Assembleia e outros acompanham tudo virtualmente.

A hibrida é a que propõe a parlamentar do MDB. “Se na Assembleia tem funcionário do apoio trabalhando, se os deputados abriram até igreja por que que os deputados tem que ficar guardados em casa? Acho que quem é do grupo de risco, tudo bem, mas quem não é tem que ir trabalhar e eu acho um absurdo uma sessão ser transmitida da sala da casa de uma pessoa”, opina Campêlo.

Acusação

Para a deputada, a sessão presencial vai “evitar manipulação” e “acesso aos documentos”. “No protocolo só aparece o que o presidente quer. Tem gente que tenta protocolar documentos e não consegue, além disso, o nosso microfone é cortado e a própria transmissão cai, misteriosamente, na hora em que alguém da mesa ou o presidente não concorda com o que está sendo dito e na hora que volta só volta para alguns”, relata a deputada do MDB.

O presidente da Assembleia, deputado Josué Neto (PRTB) disse que não vai comentar o “ataque” da parlamentar e segue com as sessões virtuais. “Não comento nenhum tipo de ataque que não traz nenhum benefício para o andamento dos trabalhos. Eu prefiro seguir o regimento e fazer com que nesse momento de reunião virtual possamos utilizar a tecnologia para garantir a participação de todos os 24 deputados”, falou Neto ao OAmazonês, via assessoria.
 

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